Vivenciando a Páscoa do Senhor!

Por pe. Éder Carvalho Assunção – Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

Tríduo Pascal

Ceia do Senhor

Cf. Ex12,1-8.11-14 / Sl 115 / 1Cor11,23-26 / Jo13,1-15

Imagine a cena de hoje, onde Jesus lava os pés dos seus discípulos numa atitude de hospitalidade e de serviço. Aqueles pés empoeirados do caminho, calejados de tanto peso suportar, feridos pelas vicissitudes da constante marcha. Imagine o que está sacramentado em cada poeira, em cada calo, em cada ferimento.

Estes mesmos pés, tantas vezes acariciados e beijados por suas mães zelosas, foram pés que marcharam por lugares insalubres, pisaram com prepotência o solo sagrado da vida do outro. Estes mesmos pés também marcharam por caminhos tortuosos.

Porém, Jesus apenas os lava. Imagine o constrangimento! As comunidades cristãs celebram esta noite, o lava-pés que não pose ser teatralizado, ele é gesto, ele sinaliza algo que se vive. Portanto, iniciamos a celebração da Páscoa do Senhor fazendo memória da Eucaristia como entrega total ao serviço do outro. Contempla-se o Corpo de Cristo que nos convida a servi-lo no Corpo do outro. Numa sociedade onde somos educados a servir-se do corpo do outro, a espiritualidade eucarística, que brota da Páscoa do Senhor, se torna profética e desafiadora.

Sendo assim, iniciamos o Tríduo Sagrado, a Páscoa do Senhor, contemplando o Cristo que serve… o Cristo que alimenta… o Cristo que se entrega. Serve ao tocar e beijar a carne e a dor do outro… alimenta ao partilhar a si mesmo “isto é o Meu Corpo… Meu Sangue”… entrega-se ao permanecer firme no seu caminho rumo a Cruz e suportando a Agonia de não ser amado.

O mesmo Cristo se torna Sacerdote, Altar e Cordeiro. Ele nos ensina o caminho. Ele conhece os nossos pés, ele sabe onde os mesmos pisaram e agora nos convidar a seguir os seus passos.

Não nos esqueçamos que os pés lavados de Pedro tornaram-se pés transpassados no dia de sua crucificação. Portanto, Eucaristia e Martírio constituem uma mesma realidade.

Dói na alma, presenciar milhares de pessoas que “se portam como histéricos” diante do ostensório… mas são indiferentes a dor do outro… “comungam” na missa, mas seus pés nunca pisaram o solo do serviço e da gratuidade onde o Corpo de Cristo de Sofre.

Paixão do Senhor

Cf. Is 52,13-53,12 / Sl 30 / Hb 4,14-16; 5,7-9 / Jo18,1-19,42 

Viver o abandono total. Experimentar a desolação em suas últimas consequências.  Nosso Senhor experimentou na Cruz o “inferno do sentimento da ausência divina”. O Emanuel, o Deus conosco que passou fazendo o bem o curando a todos se tornou o “Deus a nossa mercê” no altar da cruz.

Imagine o que pensou o Amor no altar da Cruz. Imagine o que sentiu o Amor no altar da Cruz. Imagine o quanto chorou o Amor no altar da Cruz. Imagine o quanto confiou o Amor no Altar da Cruz.

Na cruz a memória da Via Sacra que vai muito além das 14 estações, pois remonta os primórdios da humanidade, desde onde “Ele é”…  desde toda a eternidade.

Uma das coisas fascinantes no relato da Paixão são os olhares. O Nazareno é o Redentor… mas como foi importante para ele em sua Via Sacra o seio da Mãe, o ombro de Cireneu, as mãos de Verônica, a intercessão das mulheres… a presença de corações fiéis que com Ele sofreram a Paixão.

Assim hoje, encontramos pessoas que vivenciam a espiritualidade da compaixão. Que são capazes de entregas radicais e incondicionais. Que contemplam a Vida Sacra no sofrimento do outro. Oh! O que seria da humanidade sem os homens e mulheres de boa vontade?

Que bom seria se nesta celebração da Páscoa do Senhor, em sua Paixão, em vez de meros expectadores nos transformássemos em Marias, Cireneus, Verônicas, Mulheres Intercessoras. Que bom seria se não reduzíssemos a Paixão do Senhor em teatro que tira dos nossos olhos lágrimas de nostalgia, porém,  continuamos cegos diante da Paixão daqueles que estão ao nosso lado.

 

Vigília Pascal

Cf. Gn1,1-2,2 / Sl 103 / Gn22,1-18 / Sl 15 / Ex14,15-15,1 / Ex15,1-6.17-18 / Is 54,5-14 / Sl 29 / Is 55,1-11 / Is12,2.4-6 / Br3,9-15.32-4,4 / Sl 18

Ez 36,16-28 / Sl 50 / Rm 6, 3-11 / Sl 117 / Mc 16,1-7  

Iluminados por esta Noite Santa somos ao mesmo tempo convidados a iluminar o mundo através do nosso testemunho cristão. Esta Luz invade nossa alma, extasia o nosso coração. Nossa face é iluminada pela Ressurreição do Cristo Jesus. O grito de Aleluia desperta diante da Proclamação da Pascoa, diante da Proclamação da Palavra de Deus que nos recorda toda a história da Salvação.

É um dia em que as ervas amargas se tornam degustáveis diante da doçura da presença de Deus na vida do seu povo.

As Águas do Batismo, a Celebração da Iniciação Cristã no revigora e nos faz perceber que a comunidade dos discípulos missionários tem no seu coração a força do Ressuscitado.

O Túmulo Vazio se torna um sinal que o Nazareno vive: Ele está no meio de nós.  As mulheres confirmam. Como escutamos nos profetas, o Espírito do Ressuscitado nos oferece uma vida nova, um novo coração. Não há mais o que temer: a morte foi vencida.

Passos para uma vivência Pascal:

  1. Reconhecer a Cristo como Luz. Por que permanecer nas trevas? Assim como o Círio Pascal é aceso como Fogo Novo, deixemos que as nossas motivações e nossos desejos de uma vida nova em Cristo Jesus possam resplandecer nesta noite. Fogo Novo, Vida Nova. Velas acesas. Não se esqueça que o círio se consome em cada solenidade… ele ilumina… porém… ele desaparece. Assim é a alegria do cristão: iluminar na entrega gratuita.
  2. Recordar, ou seja, trazer ao coração a história da salvação. Deus chamou pessoas limitadas e imperfeitas para fazer parte desta história. A cada leitura bíblica nesta noite, podemos iluminar os momentos de nossa história pessoal: quantas experiências vivenciadas! Quantas dores! Quantas alegrias! Mas estamos aqui… Ele nos sustentou. Olhe a História da Salvação: que beleza! Olhe a sua história: não como coitadinho sofredor, mas como uma pessoa amada e sustentada por Deus.
  3. Na liturgia batismal renove todos os Sacramentos Recebidos: de maneira especial o Batismo. Lembre-se das muitas águas de sua vida. As águas das lágrimas da alegria… das lágrimas das tristezas.  Deixe-se banhar no Espírito e cante as maravilhas de Deus.
  4. Na liturgia eucarística assuma seu compromisso missionário. Caminhe rumo ao altar e de lá caminhe rumo ao outro. Ajoelhe-se diante do corpo de Cristo e se curve no serviço ao outro. Descubra na Eucaristia a fonte da toda renovação.

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