Simplicidade de vida que descomplica a caminhada de fé.

por pe. Éder Carvalho Assunção – Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

Com Cristo renasce sem cessar a alegria (EG1)

A vida comporta em si um dinamismo de beleza e caos que constrói a personalidade e matura a identidade. Na beleza a harmonia, nos caos o desespero. Suportam-se em cada dia história as surpresas que dão sabor especial à arte de viver, onde a imprevisibilidade é previsível a cada momento.

A imaturidade pode fazer da vida um inferno, pois romantiza as relações e não suporta o sofrimento, mesmo quando necessário. A verdade do imaturo é a mentira do mundo perfeito que o lança todos os dias no calvário da frustração.

Portanto, maduro é aquele que é capaz de conviver e aceitar as vicissitudes da vida na serenidade necessária que transforma toda tragédia em esperança. Quem é capaz de olhar no retrovisor existencial contempla a beleza de sua história. Quem é medíocre permanece estagnado no acidente e é incapaz de prosseguir.

Vale a pena a leitura orante da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, onde nosso irmão Francisco, consegue apresentar de maneira simples o essencial da vida cristã. A alegria, mais que um estado de humor é uma construção existencial. Ela é dom e conquista ao mesmo tempo.

É bonito contemplar Isaías na liturgia de hoje, quando em meio ao desespero do povo, ele anuncia a Alegria do Senhor que unge e injeta esperança. Um testemunho desta alegria em meio ao sofrimento se deu esta semana no Iraque, onde na Festa da Imaculada Conceição, os cristãos que vivem em meio à perseguição do Estado Islâmico, renovaram a fé na esperança do “tempo de graça” prometido pelo profeta. No México, a celebração de Nossa Senhora de Guadalupe, em meio ao sofrimento das famílias que perderam seus jovens através das barbáries do Narcotráfico que corrompe e utiliza os meios estatais. Na aridez se fala em germinação, parece contraditório, porém, aqui está o segredo da alegria. Como em Lucas a Alegria se torna o cântico de Maria, hoje, no evangelho da vida a Alegria é o único sustento das muitas Marias que vivem no Iraque e no México.

Dar graça em todas as circunstâncias é o grande desafio para a pessoa madura na fé, ou seja, não se deixa espaço para o murmúrio e reclamação. Embora, não se negue os momentos de dor e de questionamentos.

João Batista é um profeta da alegria. Parece contraditório, pois o mesmo é imagem da austeridade e da simplicidade. Para as pessoas que acham que a alegria é uma mera consequência do “muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender” a tristeza o acompanhará na futilidade das relações interesseiras e na solidão desgraçada em meio à multidão.

João é maduro e autêntico. Ele nos ensina a vivenciar o verdadeiro advento. Seu ornamento é a simplicidade e sua realização pessoal está em apresentar a Causa de sua Alegria. Quantos são os pregadores que tomam o lugar do Messias? Quantos são aqueles que pensam que dizem ser o “jumentinho” que carregou Jesus e Nossa Senhora e na verdade, tomam a cena para si, pois são mais enfeitados do que “burro de cigano”.

A alegria do cristão é o avental. A plenitude do cristão é tirar o avental e se aproximar da Mesa Eucarística, e ao retornar, retomar o avental. Quantas falsas liturgias sem avental? Quantas residências enfeitadas e iluminadas sem a presença da Alegria de Cristo? Pois ele escolheu a manjedoura e hoje Ele está no campo de refugiado, na cracolândia, no hospital, na delegacia, nos lugares mais insalubres.

Austeridade e simplicidade são sinônimos da Alegria. Simplicidade de vida que descomplica a caminhada de fé. Tudo isso, aprendemos de João Batista.

 Is 61,1-2a.10-11

Lc 1,46s.

1Ts 5,16-24

Jo 1,6-8.19-28

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