Serei o seu Deus e eles serão o meu povo… Jr31,33

por pe. Éder Carvalho Assunção – missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

Leitura Orante: Jo12,20-33/Jr31,31-34/ Sl50 / Hb5,7-9

Estes dias navegando pela internet pude perceber nos sites de informação e nas redes sociais o quanto cresce a intolerância e o fundamentalismo. Transfere-se  das mazelas interiores pessoais aos arranjos sociais. E o pior, percebemos que todos que se deixam levar pela intolerância e pelo fundamentalismo escondem-se atrás de doutrinas religiosas-políticas-filosóficas. No contexto da religião passa-se a imagem da fé que condena e de dois mundos, daqueles que são corretos e aqueles que são incorretos. Milita-se na mídia, porém, não se milita no interior de si mesmo. A intolerância e o fundamentalismo, em todos os âmbitos, nada mais são que uma expressão de fragilidade emocional e de “esquizofrenias existenciais”.

Diante de tudo isso encontramos a Sagrada Escritura que revela a imagem de um Deus bondoso e terno, levando em consideração que todas as imagens de um deus perverso e vingativo, nada mais são que projeções humanas que não condizem com a realidade de Deus. Por isso o texto sagrado quando não contextualizado na ação do Espírito, pode ser tornar um prato cheio para todos o “maus resolvidos” que trazem consigo a intolerância, o fundamentalismo e a vingança… e assim, não são capazes de suportar a Revelação de um Deus terno e compassivo que apenas abraça e “se quer” pergunta “por onde andamos” (cf. Lc15).

Creio que o tempo da quaresma nos oferece através da liturgia dominical a possibilidade de mudar a imagem de deus e assim, abraçar a o Deus de Jesus de Nazaré. Como é difícil reconhecer que muitas vezes sirvo um deus a minha imagem, servidor das minhas mazelas e das minhas vontades. Jeremias nos apresenta a imagem de um Deus que assume a sua maternidade e seu sério problema de memória: “não lembrarei o seu pecado” (Jr31,34).

Nas mídias e nas redes sociais que Deus eu apresento: o meu deus particular condenador preocupado em punir e em fazer sofrer os infiéis que não aceitam minha doutrina… ou apresento o Deus de Jesus Cristo, que “clamou e chorou” (Hb5,7) e para que todos tenham vida? O salmo 50 nos apresenta um Deus que decide amar e perdoar? Que Deus que eu apresento com minha vida? A moral não converte ninguém… a única coisa que “dobra o coração” é a experiência de amar e ser amado. Quantas vezes apresento a “moral” e me esqueço do essencial: amar na gratuidade. Enquanto alguns “católicos fervorosos fazem campanhas intolerantes”… Francisco em Roma… busca na sua agenda acolher e sentar a mesa de todos… inclusive na mesa daqueles que os católicos “à la facebook” dizem estar no inferno.

“Se o grão de trigo que cai na terra não morre” (cf.Jo12,24). A quaresma se torna o espaço privilegiado de “deixar morrer” em nós tudo aquilo que impede de transmitir e partilhar a beleza e a bondade de Deus, inclusive o desejo desgraçado que temos de ser juiz… em vez de irmão, que me impede de contemplar que está ao lado… pois o meu olhar é de cima pra baixo, na solidão da prepotência.

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