São Francisco das Chagas: São Chico do Purus

 

“Ele quis, no entanto sendo incomparavelmente mais rico,

escolher a pobreza junto com a sua santíssima mãe”

S. Francisco

 

Dentre as muitas saudades trazidas no “paneiro memorial” do povo nordestino que migrou para o Purus na “Saga da Borrancha” ressaltamos hoje,  a mais terna e amorosa, a Benção de Deus na devoção a São Francisco da Chagas. Lembrança do Canindé, lembrança da terra mãe e esperança de dias de bonança.

É impressionante a quantidade de “rezas”, festejos, benditos, terços, procissões… missas. Dia Santo guardado com maior veneração que as grandes festas do calendário litúrgico. Olhando para o quadro de São Francisco das Chagas percebemos o segredo: as chagas. “Minha terra tem palmeira, onde canta o sabiá…”, como curar os desafios do tempo presente sem a sã nostalgia das origens que nos fez estar onde estamos?

As chagas são portanto, o sacramento da identificação do sofrimento. Nas mãos dos coronéis de barranco, escravizados no sistema do aviamento, postos em guerra contra os povos indígenas, feridos pelas chagas da hanseníase, da febre negra… o que nos restou? Tirar do “paneiro memorial”:

Há quatro de outubro Francisco nasceu, veja que virtude na terra se deu…

pelas vossas chagas pedimos a Jesus, a todos nos dê amor, graça e luz!

Portanto, os Franciscos e Franciscas que se multiplicam no Purus… sofre quem busca uma certidão de batismo de um tal Francisco, filho de Francisco e Francisca, afilhado de Francisco e Francisca… Lembramos também, que ele é patrono da natureza, até os Macacos, mesmo o travesso prego, recebeu o nome de Chico.

Enfim, o Irmão Pobre seguiu o exemplo do Deus Pobre e a tudo irmanou com uma mística que até aos céticos encantou. Celebrar Francisco, portanto, é deixar que a opção preferencial pelos pobres seja um projeto de vida e não apenas um Marketing de pregação.

Por que não dizer São Chico do Purus? Amigo e irmão que nos ensina o caminho da “Alegria do Evangelho” encarnada num papa do fim do mundo que o escolheu como padrinho.

O Purus hoje sofre com a destruição da Natureza, não em suas margens, mas em suas “costas” no sul dos municípios, nas divisas com Rondônia e Acre. Francisco sofre, pois as populações tradicionais do Purus cuidam da Obra da Criação. Porém, os “civilizados do Sul”, os “grigos interesseiros” e o “sr. Governo” com as Hidrelétricas, a sra. “Petrobrás” com o seu ouro negro e demais obras do “sr. PAC”… são verdadeiras desgraças na vida dos Povos Tradicionais. Roubam, saqueiam e vão embora, deixando apenas como herança, as mazelas sociais. Não nos esqueçamos que todos os projetos migratórios que invadiram o Purus foram Projetos Estatais.

Sendo assim, a celebração do fenômeno São Francisco das Chagas no Purus exige “espiritualidade de resistência” e “Utopia”. Que o Pobre de Assis, discípulo do Pobre da Cruz, nos ensine a renovar hoje com o testemunho “a opção preferencial pelos pobres” na luta contra a miséria e opressão.

Oremos:

Altíssimo Deus, elevado nos mais “baixos deste tempo”,

Louvado sejas pelas vossas chagas e pelas chagas de teu filho Francisco,

Louvado sejas por curar as chagas dos pobres na pobreza de Teu Filho inculturada na pobreza de Francisco,

Louvado sejas pela irmã Amazônia, pelo irmão Purus,

Dela a vida e dele o sutento,

Louvado sejas pela Vazante Fecunda, pela Farinha Bendita,

Na primeira o trabalho e na segunda a Bonança,

Louvado Sejas… Louvado Sejas…

Amém, Axé, Awere, Aleluia!

Pe. Éder Carvalho Assunção

[email protected]

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