Recordar o dia em que reconheci o meu nome no « timbre » de voz Daquele que me amou e por isso me chamou

por pe. Éder Carvalho Assunção – Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

A experiência vocacional norteia a vida, fundamenta opções e amadurece o coração. Como Samuel, um dia o Senhor nos chamou, agindo com paciência e respeitando nossa “adolescência espiritual” (cf.1Sm3,3b-10.19). Ele também nos deu uma “mãe”, alguém que nos gerou na fé e assim nos consagrou… Ele também nos deu um “Eli”, alguém que nos ajudou a contemplar a beleza do nosso nome da voz do Bom Pastor. Assim é Deus. Assim é a vocação. Ele nos concerta e nos desconcerta a todo momento.

Quando nos falta esta memória cordial e afetiva raramente progredimos na fé e na missão. É pelo chamado que Ele nos encanta e nos amadurece. É na sonoridade de sua voz que faz o nosso coração bater e assim, doa-se a vida, como Ele o fez: “Eis que venho, Senhor”, com prazer faço a vossa vontade” (Sl39).

No chamado nos identificamos e no chamado nos realizamos. É preciso maturidade afetiva-espiritual para discernir as “muitas vozes” e coragem pra escolher Aquele que nos escolheu por primeiro. Assim nos tornamos o seu “santuário”, templos do Espírito (cf. 1Cor6,13c-15ª.17-20), portadores de uma experiência amorosa. Muitos falam em crise vocacional, prefiro encarar como crise relacional, quando nos tornamos “imorais”, ou seja, incapazes de dar a tonalidade de ternura à nossa voz à “altura” Daquele que nos encantou.

Esta voz me faz ressoar (cf.1,35-42) seu amor, esta voz me faz anunciar o seu Reino. Não sou proprietário da vocação, sou portador. Não sou o fim, sou mediador. A experiência vocacional ressoa, aponta e orienta: “Eis o Cordeiro de Deus”. Não nos esqueçamos que o cordeiro ao dar a vida não faz nenhum barulho. Uma morte silenciosa. Uma entrega total. Sem voz, ele se torna “a voz” daqueles que são chamados a dar a vida no silêncio das pequenas coisas do dia-a-dia.

Creio que na liturgia deste domingo temos a oportunidade de contemplar o Mistério de Deus em nossa vida:

Que tal escrever sobre a nossa história vocacional?

Que tal avaliar a nossa resposta?

Que tal se se deleitar e renovar as energias na experiência única de reconhecer o nosso nome no “timbre de voz” Daquele que nos amou por primeiro.

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