Quando serei abraçado ?

Escolhas pautadas no “ter” têm as suas consequências e a principal delas é a desumanização que tira a dignidade de filho e leva a desejar a “comida dos porcos”. Porém, escolher é próprio de quem é livre, inclusive escolher “o não ser livre”. Dons que não são administrados na sobriedade podem levar a escravidão.

Na parábola de hoje Jesus revela a face misericordiosa de Deus que realiza sua justiça na ternura, enquanto o ser humano pensa que justiça é sinônimo de punição. O filho se autopune com o título de empregado, com um discurso de defensoria, enquanto Deus apenas: corre, abraça, beija e festeja. Não se trata aqui de impunidade e sim de celebração da vida, de reconhecimento paterno de um filho que retoma sua dignidade.

Paulo afirma que cada batizado é ministro de reconciliação, pois este passou pela experiência da misericórdia, ou seja, a reconstrução existencial da personalidade em Cristo na ação do Espírito que proporciona ao ser humano a degustar a bondade.

Quedas, caminhos errados, pecados, situações de mortes devem ser reconciliadas em Cristo. Ele no altar da Cruz reconciliou o mundo. O sentimento de culpa e a idolatria de si mesmo, que na verdade é o “não perdoar-se” podem impedir no processo de volta a casa: “eu não me consigo me perdoar, pois o pecado feriu minha imagem idolatrada de pessoa perfeita, ética, religiosa, consagrada”.

A parábola nos ensina que quem mais sofre com a queda do ser humano é o próprio Deus. Para um pai, escutar o pedido de herança antes da morte, é muito difícil. Quantos são aqueles que buscam os “milagres” para gastarem saúde e energia nas aventuras do ter, do poder e do prazer. Busca-se Deus nas necessidades e nos sofrimentos. O filho não teve atitude de gratuidade, ele apenas voltou para desfrutar dos privilégios de um empregado. Mas, o Pai “o faz” renascer e o reconduz à terra prometida, à casa paterna. A graça não está da decisão de voltar e sim no “abraço materno do Pai”.

Portanto, a Misericórdia, o Amor que se inclina, a Compaixão que abraça a dor do outro, são faces da parábola de hoje.

Escolha hoje permanecer numa terra estrangeira ou voltar à casa paterna: a primeira confirma que o “amor” dura tanto quanto os bens materiais e que infelizmente, o ser humano ainda não aprendeu a valorizar a pessoas pelo os que elas são em si mesmas e assim, trocam-se os pais, a família, os verdadeiros amigos, a religião… pelos “encantos do mundo”. A segunda revela a identidade do Pai que ensina ao filho o amor gratuito e compassivo.

“Misericordioso como o Pai”: eis a missão que se apresenta diante de cada pessoa. A Eucaristia, fonte e ápice, inquieta e confirma na “missão reconciliação”.  Pena que muitos participam da missa com a identidade de “empregado” e não experimentam o “abraço do Pai” que nos faz “filhos” e ministros da misericórdia.

Por pe. Éder Carvalho Assunção Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

Leitura Orante: Js 5,9a.10-12 / Sl 33 / 2Cor 5,17-21 / Lc 15,1-3.11-32

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