Quando o via, pensava, quero ser padre assim.

Onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. Lc 12, 34

Em certo momento de minha vida tomei consciência de um chamado sem igual que queimava em meu peito. Difícil de decifrar, mas facilmente contemplável, pois da inquietação surgia uma alegria contagiante. Algo novo, pascal e sobrenatural numa realidade frágil e limitada, assim, discerni “minha vocação”, que na verdade não é minha e sim, do Mistério da Misericórdia: “ser missionário nos lugares onde ninguém quer estar”. De início pensei que seria um “lugar geográfico”, mas logo percebi que se tratava de um “lugar existencial”.  Enfim, respondi eis-me aqui!

Fiz deste chamado o meu tesouro e, mesmo tendo consciência que minha realidade se assemelha a um simples vaso de argila, confiei Naquele “que quis” depositar a graça da fé, da esperança e da caridade em minha história.

Assim penso que neste mês vocacional, cada um de nós, encontra uma oportunidade única de rever a própria história vocacional e assim, alimentar o “sonho que Deus sonhou pra cada um de nós depois de toda a eternidade”.  A humildade deve nos acompanhar, pois é em sua vivência que deixamos o Espírito ser o protagonista de nossa história, pois somente ele pode nos tornar dignos de anunciar a Boa Nova.

Quando estive no Líbano, partilhando nossos projetos missionários com os irmãos do Norte da África e do Oriente Médio, pude perceber que a fé da “noite da libertação” (Sb18,6) se atualiza em cada pessoa que assume sua vocação com fé e determinação. O testemunho dos missionários da Síria e do Iraque me fizeram compreender que a vocação de Moisés é atualizada e plenificada na vida dos cristãos perseguidos, que mesmos abandonados, não abandonam suas vocações.

Quando me vejo padre aqui no Corno da África, consigo degustar com mais intensidade a fé de Sara e de Abração (Hb11). O clima do deserto, o ser estrangeiro, as guerras e outras catástrofes humanitárias que nos rodeiam, o radicalismo islâmico… tudo isso se torna um grande desafio, e este, é enfrentado na simplicidade da inculturação nos moldes do Mistério da Encarnação do Verbo.

Em cada irmão padre martirizado ou sequestrado na região, contemplo um testemunho de ousadia e amor ao extremo. Assim como eles guardaram e guardam o tesouro da fé, assim também, devemos testemunhar a alegria de trazer sobre os nossos ombros a Cruz da Boa Nova.

Se Deus te chama a ser padre, não tenha medo. Mas não esqueça as palavras do pai de D. Helder: padre e egoísmo não combinam!

Agradeço a Deus pelo dom da vocação e homenageio hoje um padre que me encantou em minha infância, que na sua simplicidade percorria todas as comunidades de Guarapari, nem parecia que era estrangeiro, pois tamanha foi sua inculturação. Seu amor aos doentes e seu zelo com a Eucaristia era algo apaixonante. Quando o via, pensava, quero ser padre assim. Seu nome é José Muniz.

Por pe. Éder Carvalho Assunção Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

Leitura orante

1ª Leitura – Sb 18,6-9

Salmo – Sl 32,1.12.18-19.20.22 (R.12b)

1ª Leitura – Hb 11,1-2.8-19

Evangelho – Lc 12,32-48

 

 

 

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