Páscoa em meio a perseguição… o que nos resta… “amar sem medida”!

Por pe. Éder Carvalho Assunção – Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

Páscoa em meio a perseguição

Aqui no Corno da África, especificamente na Missão Somália-Djibouti, contemplamos a presença do Espírito do Ressuscitado no coração e no olhar de cada pessoa humana que insiste em resistir. Nesta Semana Santa fomos “bombardeados” através:

  • Do ataque da Arábia Saudita ao Iêmen, que já matou mais de quinhentas pessoas nestes últimos dias, diga-se de passagem que estamos a 40 Km de distância, separados pelo Golfo de Aden – Mar Vermelho. Aqui percebemos o movimento de pessoas que migram, fugindo do conflito e ao mesmo tempo, imigrantes etíopes que se lançam ao mar para aproveitar a ausência do estado no Iêmem para migrarem para outros países. Encontramos também pessoas que vão ao Iemem, como voluntários para amenizar o sofrimento do povo. Percebemos a aflição dos que são obrigados a saírem e o desejo de fazer o bem “a todo custo” daqueles que entrem nas áreas de conflito.
  • Do ataque do Al Shabab à Universidade de Garissa  – Quênia. Aproximadamente 150 pessoas foram torturadas e mortas, segundo testemunhas, os terroristas selecionaram os “cristãos”, conforme a prática comum deste grupo. O Al Shabab transforma a Somália em um dos países mais perigosos do mundo. Estamos a 20 Km da fronteira com a Somália e ficamos perplexos diante desta guerra civil de 25 anos,  com presença militar de vária nações fortes do mundo que parecem se preocupar apenas com os “piratas da Somália” que ameaçam a Economia. Controlado em parte o problema da pirataria, milhares de militares assistem o drama de milhões de somalis que não tem outra alternativa que se subjulgar ao poder dos terroristas, já que o Estado praticamente não existe e as forças militares não conquistam a paz.

 

Neste contexto recebemos crianças refugiadas que com seu olhar de esperança nos animam e nos levam a “viver a vida”. O medo tem o poder de paralisar! A esperança nos motiva a prosseguir e como diz um Mártir deste tempo presente: “Fugir é morrer”.

Imaginem a coragem de Pedro: negador de carteirinha no relato da Paixão… agora se torna um pregador incansável, fiel a verdade. Algo aconteceu com ele ao entrar no túmulo vazio, mesmo que demorando em acreditar, ele percebeu a beleza do Amor que o amou e que lhe confiou, mesmo nas suas limitações: “apascente meu rebanho!”. A Ressurreição se torna a tomada de consciência, a superação das limitações, a festa da esperança. Lembro-me aqui da minha infância, quando orientados por Pe. José Muniz, cada comunidade fazia uma procissão com o Senhor Ressuscitado, na madrugada da Páscoa, antes do nascer do sol. A imagem é justamente essa, tomar consciência que o Cristo Ressuscitado ilumina as nossas trevas e nos faz resplandecer em seu amor.

É nesta fé que nós, missionários Ad Gentes, nos lançamos na experiência de ser apenas um irmão, uma irmã que porta em sua história, o toque do Ressuscitado. Como Madalena corremos para partilhar, para anunciar uma experiência que tranforma radicalmente a nossa vida. É por isso que qui estamos a serviço da Somália e Djibouti, é por isso que neste momento a Igreja está presente no Iêmen e no Norte do Quênia.

Buscamos as “coisas do alto” em cada coração tombado. Buscamos o céu enraizados neste tempo presente. Celebramos a Ressurreição mesmo nos ambientes e situações mais tenebrosas, pois nada pode tirar do coração a “alegria do Encontro Pessoal com Jesus Cristo na vivência diária do Ministério da Compaixão”.

Portanto, a Páscoa de Jesus transcende as frontreiras e nos faz cantar “este é o dia em que Senhor fez para nós”. Durante alguns meses acompanhei uma mãe somali com os seus cinco filhos que habitavam pelas ruas de Djobouti, refugiada de Mogadíscio. Depois de uma longa espera e de noites de inseguranças, o Ressuscitado nos preparou um lugar onde a segurança é razoável. Após algumas horas pelo deserto avistamos o campo de refugiados que encheu de esperança o coração desta mãe mulçumana que com carinho me disse: Mahadsanid (Obrigado!). A cada vivência de compaixão somos sustentados pelo Ressuscitado. Somos frágeis como Madalena, porém, fortalecidos na gratuidade do Amado que nos faz “amar sem medida”!

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