Os pássaros cantam mesmo aprisionados, pois a “memória” da liberdade excede a realidade do cárcere.

Esperar em meio às desesperanças é próprio de quem ama… de quem confia… de quem sabe o que espera… de quem alimenta memórias afetivas… Assim, vive-se uma angústia adocicada com uma nobre expectativa que acolhe o passado, confirma o presente e deixa o futuro à Providência.

Sonhos e utopias alimentados nos pequenos milagres de cada dia, revelam que o Tempo Advento é uma celebração daquilo que não podemos apalpar na totalidade, mas degustar numa parcialidade integradora que nos faz sentir saudade daquilo que ainda não vivemos em plenitude.

Os pássaros cantam mesmo aprisionados, pois a “memória” da liberdade excede a realidade do cárcere. A mãe entra no presídio pra visitar o filho, pois a “maternidade” fala mais alto que a criminalidade. O penitente busca a Reconciliação, pois a “graça” alegra mais que o pecado.

Naqueles dias, Judá será salvo e Jerusalém terá uma população confiante; este é o nome que servirá para designá-la: ‘O Senhor é a nossa justiça’”. Cf. Jr 33,14-16

Quem é profeta senão aquele que injeta esperança em meio à crise, consolação em meio à desolação. O Advento convida a realimentar a dimensão profética do Batismo, na expectativa da Parusia… da Vinda do Senhor. Como dizia São João da Cruz “no entardecer dos tempos, seremos julgados pelo amor”. Pessoas pessimistas, negativistas… portadores de críticas sem testemunho de mudança… disfarçados de cristãos produzem verdadeiros estragos.

O Senhor se torna íntimo aos que o temem e lhes dá a conhecer sua Aliança. Cf. Sl 24

A Aliança com Deus, neste tempo que se chama hoje, se dá na experiência do Encontro Pessoal com Jesus Cristo em Comunidade. A intimidade com o Mestre gera os discípulos missionários que o Reino precisa. “Cristãos” negativistas têm “cara de vinagre”, como diz o Papa Francisco. Portam o luto, o murmúrio, a reclamação e uma “ladainha de desgraças”.

 O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais, a exemplo do amor que temos por vós. Cf. 1Ts 3,12-4,2

A Alegria do Evangelho é a marca daqueles que se preparam para a Vinda do Senhor e para a celebração anual de Sua Encarnação. Alegria que é fruto do “amor transbordante”.

Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem”. Cf Lc 21,25-28.34-36

Lucas nos ajuda a reler os acontecimentos à luz da fé e da esperança, para que assim, nossa vida seja pautada no testemunho de caridade, somente este nos deixa de pé, ressuscitados, diante de todas as tribulações do tempo presente, pois confiamos como Paulo em sua carta aos Romanos, “nada pode nos separar do Amor de Deus”.

Por pe. Éder Carvalho Assunção Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

 

 

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