O deserto e seu apelo à maturidade espiritual

O ser humano segue em seu mais íntimo um itinerário de busca constante daquilo que é essencial, que o caracteriza. Na solidão do deserto onde se encontra o mínimo necessário o ser busca sua integração existencial. A escassez produz a abundância no silencio daquele que tem como único bem: amar e ser amado.

Esta dimensão contemplativa presente na alma da humanidade se aflora no coração daqueles que se deixam levar pelo Espírito ao deserto das tentações, das provações e, também, do oásis e da abundância.

Tirar as sandálias dos pés, sentir o Sagrado “sob os pés” são passos revolucionários no processo de construção da consciência espiritual. O ser amadurece, o corpo transcende, a alma se aquece, e tudo isso, se dá de maneira integral, na unidade existencial. Na contemplação o Sagrado nos contempla, o Mistério nos perscrute, o Amor nos envolve.

O deserto quaresmal restaura e renova o espírito daqueles que não se cansam de amar sem recompensar esperar, daqueles que alcançaram uma maturidade que não exige, que não demanda, que não precisa nem mesmo de milagres. Mesmo se aparentemente a vida está em crise com suas vicissitudes – doenças, ausência de perdão, miséria, sangue derramado – o ser daquele que contempla guarda o sorriso na alma e a louca gratidão em meio as mais tensas dores existenciais.

Maduro na fé é aquele que encontra a água viva em meio ao Rochedo, é aquele que sempre tem um fruto a dar. Amante é aquele que encontra seu Amado no deserto. Amada é a alma amante com um coração transbordante.

Por pe. Éder Carvalho Assunção – Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

Lc 13,1-9 / Êx 3,1-8a.13-15 / Sl 102 / 1Cor 10,1-6.10-12

COMPARTILHE:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no google
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

AJUDE
A PRELAZIA

X