O caminho para todos que desejam fazer da sua vida um Eco… da Palavra que é o próprio Cristo.

Por pe. Éder Carvalho Assunção – Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

Hoje em dia encontramos muitas pessoas no meio “religioso” que falam de profecia como “adivinhação do futuro” e que tentam a todo custo “adicionar algo pessoal” à Mensagem da Salvação, como se o Mistério de Cristo fosse incompleto. São as vontades individuais e o desejo frenético de consumir “experiências religiosas” que “espetacularizam” a fé e abandonam assim, a tradição bíblica .

“Porei em tua boca as minhas palavras” (cf.Dt18,15-20). Jesus é a Palavra. Nele, Deus Encarnado, encontramos o cumprimento de toda profecia. A Igreja nos ensina através do Vaticano II (cf. Dei Verbum) que não haverá outra manifestação pública no sentido de “completar” algo que tenha faltado à Mensagem do Cristo. Em Cristo temos a totalidade da Epifania e aguardamos somente, ansiosos a Plenitude do Reino, e enquanto isso, vivemos a Boa Nova, o seu Evangelho.

A autoridade de Jesus (cf.Mc1,21-28) de expulsar o mal, inclusive do interior da religião, pois o homem possuído estava no interior da sinagoga, foi conquistada pelo serviço de amor. Este ensinamento novo se revela na Cruz e este é o caminho para todos que desejam fazer da sua vida um Eco… da Palavra que é o próprio Cristo.

Pessoas infantilizadas na fé peregrinam atrás de “experiências religiosas bizarras”, de novas mensagens, de novas “profecias”, inclusive deturpam a devoção à Virgem Maria, que sempre exerceu a sua profecia no silêncio. Muitos confundem profecia com “papagaísmo” e se esquecem do essencial da vida profética: o testemunho silencioso que grita. Podemos perceber claramente na vida dos leigos e leigas celibatários, que não possuem a “patente” de padre ou religioso (a), porém fazem de sua vida um testamento profético no silêncio da missão (cf. 1Cor7,32-35) em lugares onde a “mídia sensacionalista religiosa” não se interessa em estar.

“Oxalá ouvísseis hoje a minha voz” diz o salmo 94. Que bom seria se a comunidade cristã amadurecesse e retornasse assim à beleza da espiritualidade profética. Que bom seria se a mídia católica parasse de vender a fé e se voltasse realmente para os dramas do povo e assim assumir uma atitude profética diante dos “poderosos deste mundo”. Que bom seria, se nós padres e bispos, abandonássemos a zona de conforto e de segurança, e no silêncio de nossa consagração rendêssemos um testemunho eucarístico através do serviço aos mais pobres. É bom ressaltar que serviço aos mais pobres é muito mais que investir dinheiro e pessoas em projetos sociais. Serviço aos pobres, é ser como o Cristo, é viver na Galiléia, é exercer o ministério “bem longe do templo”. Muitos de nós, bispos e padres, confundimos autoridade com tirania, achamos que a ordenação e o múnus pastoral nos torna infalíveis, e muitas vezes vivemos a desgraçada solidão do poder. Somos tirados do meio do povo para servir ao povo e muitas vezes nos vestimos como rei, confundimos luxo com nobreza e fazemos de nossas liturgias espetáculos com muito cheiro de incenso e “muito pouco cheiro de pobre”. Portanto, para nós é muito confortável no Evangelho de hoje nos identificarmos com Jesus que realiza um exorcismo, porém, por mais doloroso que seja, é preciso reconhecer que somos muitas vezes, “homens possuídos pelo mal” dentro de nossos templos.

Esta reflexão vale primeiramente para quem a escreve e para todos que fazem da liturgia dominical “uma sacudida violenta” (cf.Mc1,26). É necessário uma atitude de silêncio profético. É apaixonante o testemunho de Maria no seu silêncio. Embora muitos a transformam “em maria faladeira sem eira nem beira” o Evangelho, na sua plenitude, apresenta a sua missão de maneira simples e nobre. Como dizia São Francisco: vai meu irmão, anuncie o Evangelho e se for preciso, fale!

Temos neste domingo uma oportunidade, única, de transformar a nossa comunidade e de redescobrir o valor do ministério profético. Não confundamos marketing católico com profecia. Aliás o que encontramos muitas vezes é um de-serviço a missão. Inclusive encontramos o “boicote” de muitas mídias católicas aos pronunciamentos inquietantes e renovadores do Papa Francisco. Graças a Deus temos hoje o testemunho profético de muitos leigos, religiosos, padres e bispos que fazem a diferença, pois tornam fecundos os seus ministérios na entrega integral, radical e silenciosa.

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