26 de Maio de 2014

São José Operário: Exemplo de esposo, pai e trabalhador

Publicado por

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

São José, esposo de Maria e Patrono da Igreja Universal. Ele merece todo o nosso reconhecimento e a nossa devoção, pois soube proteger a Virgem Santa e o Filho Jesus. O ser guardião é a característica de José: é a sua grande missão! É nisso que ele expressa o seu amor à sua esposa e ao seu Filho adotivo.

Temos poucas notícias de José que, pelo fato do recenseamento ter se dirigido a Belém, teria provavelmente nascido ali, tendo como pai Jacó (Mt 1,16). Desposou Maria obedecendo a Deus que lhe avisara pelo anjo em sonho e cuidou da Sagrada Família seja nos momentos difíceis, como foi a fuga para o Egito, como no dia a dia da pacata cidade de Nazaré.

A figura de São José adquire em nossos dias uma grande popularidade. Pio IX o declarou Patrono da Igreja Universal; Pio XII instituiu a festa de São José Operário; João XXIII pede sua proteção especial para o Concílio Ecumênico Vaticano II e acrescenta seu nome ao cânon da Missa. O Papa Francisco acrescenta o seu nome a todas as demais orações Eucarísticas. É ainda patrono dos pais de família, dos tesoureiros, dos procuradores, dos trabalhadores em geral. Servidor fiel e prudente a serviço da Sagrada Família, continua sendo servidor da família cristã, modelo das virtudes do lar.

Dois textos bíblicos falam de José, o pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo: Mt 2, l3-23 e Lc 2, 4-52. Destes textos, uma atenta leitura nos leva a tirar dois dados importantes: sua condição de carpinteiro: “Não é este (Jesus) o filho do carpinteiro? “(Mt 13-55). Era conhecido, portanto, em Nazaré, por seu ofício. O outro dado é um juízo sobre sua pessoa: “Seu esposo José, como era justo e não queria colocá-la em evidência…” (Mt 1,19). Por estes textos e dados fundamentais, reconstruiu-se a imagem de São José como esposo fiel de Maria, pai adotivo de Jesus e honrado artesão e operário que vivia de seu trabalho. Nada mais sabemos de sua vida, nem de sua morte, a não ser através dos evangelhos apócrifos.

A vida de São José foi toda ela um contínuo serviço a Jesus e a Maria. Podemos também ver em São José um grande modelo de educador, pois ele foi modelo de educador que protege e acompanha Jesus em seu caminho de crescimento “em sabedoria, idade e graça”, como diz o Evangelho. Ele não era pai de Jesus: o pai de Jesus era Deus, mas ele cumpria o papel de pai de Jesus, fazia-se pai de Jesus para fazê-lo crescer. E como o fez crescer? Em sabedoria, idade e graça. José ensinou a Jesus também o seu trabalho e Jesus aprendeu a ser carpinteiro com seu pai José. Assim, José criou Jesus.
José foi para Jesus exemplo e mestre desta sabedoria que se nutre da Palavra de Deus. Podemos pensar em como José educou o pequeno Jesus a escutar as Sagradas Escrituras, sobretudo acompanhando-O aos sábados à sinagoga de Nazaré. E José O acompanhava para que Jesus escutasse a Palavra de Deus na sinagoga.

Vemos muito bem que São José foi um homem que viveu a essência da caridade, pois despojou-se de seus desejos pessoais para assumir em sua vida a chefia da família de Nazaré. São José foi um homem que amou profundamente sua esposa e seu Filho adotivo. Tanto que dedicou a sua vida completamente a eles. Sem nenhuma reserva e sem nenhum medo, pelo contrário, foi muito corajoso em assumir Maria em sua gravidez e zelar por aquele que é o Messias. São José exerceu, assim, o amor e, exercendo o amor, vivenciou a caridade. Caridade esta que ele fez dando e olhando para as necessidades da Virgem Maria, de Jesus e daqueles que estavam ao seu lado.

Portanto, procuremos descobrir hoje e sempre, continuamente, a presença de São José em nossas famílias, no mistério de nossa fé. E ele continuará sendo, como sempre o foi, o nosso protetor, o nosso modelo. Que ele rogue a Deus por nós, por este mundo tão afastado do amor e que precisa tanto seguir o exemplo deste santo escolhido e amado por Deus, por Maria e por nós. Que São José interceda pelo nosso seminário São José a fazer e dar inúmeras e santas vocações, e também por toda a nossa Arquidiocese para que possamos, neste Ano da Caridade, ver em São José um grande servidor e um homem que viveu a caridade.

São José, rogai por nós!

Fonte: CNBB

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