30 de Junho de 2014

Obrigado, Tomé! 03 de julho, dia de São Tomé

Publicado por

Imagine um repórter saindo pelas ruas de Salvador, perguntando a quem encontrasse: “O que você sabe a respeito do apóstolo Tomé?” Penso que a maioria das pessoas lhe diria, sem refletir muito que ele “é aquele apóstolo que duvidou, que não acreditou!”. Realmente, Tomé, um dos doze apóstolos de Jesus, demonstrou não acreditar facilmente em qualquer afirmação que lhe faziam. Queria provas concretas para crer no que lhe diziam, a respeito da ressurreição. Injusto, contudo, é transformá-lo em sinônimo de incredulidade, como se sua vida se tivesse resumido a isso.

Antes de tudo, é preciso lembrar sua generosidade e seu amor pelo Mestre. Quando Jesus soube da doença e morte de Lázaro, tomou a decisão de “acordá-lo” de seu sono. Os apóstolos mostraram-se, então, preocupados, pois pouco tempo antes os habitantes da Judéia haviam manifestado o desejo de apedrejar o Senhor. Nesse momento, Tomé disse aos companheiros: “Vamos nós também, para morrer com ele!”. Ponto para Tomé.

Quem é Jesus Cristo? Uma das respostas a essa pergunta foi dada pelo próprio Jesus, graças a esse apóstolo. O Senhor preparava seus discípulos para o momento em que eles não mais o teriam junto de si e lhes disse: “Não se perturbe o vosso coração!… Na casa de meu Pai há muitas moradas… Vou preparar um lugar para vós… Voltarei e vos levarei comigo… E para onde eu vou, conheceis o caminho!” Tomé não guardou para si a curiosidade que, provavelmente, estava também no coração dos demais apóstolos: ´Senhor, não sabemos para onde vais. Como poderemos conhecer o caminho?´ Foi a ocasião propícia para Jesus se autodefinir: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Mais um ponto para Tomé.

Chegamos, enfim, ao acontecimento que fez sua fama. Ao anoitecer do domingo da ressurreição, os apóstolos e discípulos, dominados pelo medo, encontravam-se dentro de uma sala fechada. Jesus surgiu no meio deles, desejou-lhes a paz, mostrou-lhes as mãos e o lado, deu-lhes o Espírito Santo e o poder de perdoar os pecados. Tomé não se encontrava ali. Quando chegou e ouviu os demais falarem da aparição de Jesus, observou: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos, se não puser a mão no seu lado, não acreditarei!” Uma semana depois, Jesus voltou a encontrá-los. Dessa vez, Tomé estava presente. Jesus, então, lhe dirigiu a palavra: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado”. Graças a Tomé, fomos informados que no seu corpo ressuscitado de Jesus estão impressas, eternamente, suas chagas. Que ponto para Tomé!

Devemos-lhe, também, uma das mais belas provas da misericórdia de Jesus. Embora tivesse sido grande a falta cometida por esse apóstolo, que não acreditou no testemunho de seus colegas, o Mestre não o condenou, mas também não deixou de adverti-lo: “Não sejas incrédulo, mas crê!” Mais do que uma advertência, essa observação passaria a ser um programa de vida para esse apóstolo e para toda a Igreja. Fruto desse episódio nasceu a mais bela herança que Tomé nos deixou, ao se dirigir a Jesus e proclamar a frase que é repetida diariamente ao longo dos séculos, por milhões de pessoas: “Meu Senhor e meu Deus!”

Por fim, mais uma lição que o Ressuscitado nos deixou, graças àquele apóstolo – lição imprescindível para nós, que precisamos viver a fé no meio de desafios e decepções, de notícias tristes e de injustiças. Dirigindo-se a Tomé, Jesus lhe disse: “Creste porque me viste? Felizes os que, sem terem visto, creram!” Só nos resta agradecer a Tomé suas preciosas intervenções e sua espontaneidade, sua humildade e sua amizade com Jesus. Dentre as muitas formas que temos para lhe demonstrar nossa gratidão, creio que nenhuma será tão adequada como a de fazermos nossa, e repetirmos continuamente sua solene proclamação: “Meu Senhor e meu Deus!” E, por que não pedir sua intercessão para que também nós tenhamos a graça e o privilégio de colocar o dedo nas chagas de Cristo Ressuscitado?…

Dom Murilo S.R. Krieger, scj
Arcebispo de Salvador – BA

Fonte: CNBB

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.requerido

*

* *