10 de Maio de 2015

Viver de amor é dar sem medida

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Viver de amor é dar sem medida sem 
na terra salário reclamar. 
Ah! sem contar  eu dou, pois 
convencida de que quem ama 
não sabe calcular.

Com este pensamento da pequena Teresa transformada em canção por Kelly Patrícia iniciamos nossa contemplação da Liturgia da Palavra neste sexto domingo de Páscoa. A experiência de amar e ser amado é fundamental para a realização humana. Não podemos ser felizes sem esta. Sendo assim, hoje nós temos a oportunidade de repensar nossa história à luz do Evangelho.

  1. Permanecer no meu amor: aqui encontramos um grande desafio para a nossa vida. Permanecer, na teologia de São João, significa perseverar na vida Trinitária, onde encontramos a graça da santidade e da realização humana.
  2. Que vossa alegria seja perfeita: muitas pessoa pensam que a alegria está associada ao ter, ao prazer e ao poder. Ou seja, são adeptas da ditadura do consumismo, inclusive do consumismo religioso. “Se eu tenho dinheiro, eu posso comprar, se compro, então, sou feliz”? Imaginemos todas as coisas materiais que possuímos… elas nos trazem felicidade? Elas nos dão a alegria? Muitos nadam no ter, no prazer e no poder, todos os dias, mais são incapazes de dizer de coração: “Eu te amo”. A alegria é um presente que recebemos de Deus e que partilhamos nas relações humanas. Quantas família têm tudo… menos a afeição, o carinho, a amizade? Nosso Senhor nos concede a alegria plena através das pequenas coisas do dia-a-dia: o olhar das crianças, a beleza da natureza, a esperanças do enfermos, a resistência dos pobres, o colo de mãe…
  3. Vós sois meus amigos: isto é fantástico, pois nós somos fracos e limitados, e mesmo assim, Jesus – o rosto divino do homem… o rosto humano de Deus (cf.J.PauloII) – nos chama de amigos. Não somos escravos e sim, amigos. Não precisamos de títulos eclesiásticos, políticos e militares na comunidade cristã, pois somos amigos, irmãos. É triste quando encontramos comunidades frias e divididas por “classes sociais”, por ideologias, por “eclesiologismos”… É estranho encontrar pessoas que se dizem amigas de Jesus e inimiga dos amigos de Jesus. A primeira leitura nos apresenta a mudança de mentalidade da comunidade de Jerusalém, outrora fechada e agora aberta ao diferente.
  4. Dar a vida: durante as missas e adorações nós fazemos muitas inclinações e genuflexões, isto é bom, pois estamos diante do Sagrado. Porém, estes mesmos joelhos se dobram nos serviço dos mais pobres? Nosso olhar e nossa cabeça se inclinam em direção à dor existencial daqueles que estão à nossa volta? É preciso viver a misericórdia.
  5. Intimidade: a intimidade com o Cristo não se dá em primeiro lugar no templo, mas nos testemunho de cada dia. Como nos diz João na segunda leitura de hoje: amemos uns aos outros.
  6. Escolha – Não fostes vós que me escolhestes: nós somos eleitos por Deus não por nossos méritos, mas por sua graça. Somos eleitos não para o privilégio, mas para amar e servir.
  7. Nossa Missão: amar e ser amigo no Amigo.

Hoje celebramos o dia das mães no Brasil. Maternidade e amizade formam uma única realidade. Imagine a amizade entre Maria e Jesus. As mães nos ensinam a essência da amizade no diálogo-uterino e  na educação à verdade. Recordo-me com carinho o dia que minha mãe, Dna. Gracinha, me disse com firmeza: “Lá no seu trabalho, Éder, e lá na Igreja, todo mundo te elogia e fala muito bem de você… mas aqui… dentro de casa você revela verdadeiramente quem você é”. Estas palavras de minha mãe tocaram-me profundamente, pois a verdade com ternura nos educa e a verdade com ignorância nos revolta. Estas palavras de amiga me ajudaram a compreender que não posso ser uma pessoa na rua e outra dentro de casa. Infelizmente, muitas vezes, nos comportamos bem na sociedade e dentro de casa, onde estão aqueles que mais nos amam, nos comportamos de maneira agressiva… sem caridade… com palavras que matam.

A Liturgia da Palavra deve tocar nosso coração. É preciso abrir nossa existência. É preciso deixar a alegria do encontro pessoal com Jesus na Eucaristia curar nossas feridas. É preciso tomar consciência de nossa vocação ao amor. É preciso deixar por terra tudo que nos tira a paz. É preciso encontrar o caminho da transformação-ressurreição. É preciso mergulhar na Misericórdia de Deus. “É preciso amar as pessoas como se não tivesse amanhã”(cf. R. Russo).

At 10,25-26.34-35.44-48 / Sl 97 / 1Jo 4,7-10 / Jo 15,9-17

Por pe. Éder Carvalho Assunção – Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África padre.eder@hotmail.com

 

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