25 de Outubro de 2015

Não tenhas medo meu filho, eu vou te ensinar a enxergar com os olhos do coração

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Bartimeu, o cego que mendigava à beira do caminho é a imagem daqueles que hoje se encontram à margem da fé, à margem da Igreja, à margem da sociedade. Ele é também imagem do cristão caído por causa do pecado e da infidelidade.

Bartimeu é cego como cada um de nós. Muitas vezes caímos na trevas e assim, não conseguimos enxergar e ser Luz. Existe um ditado popular que diz: o pior cego é aquele que não quer ver.

Quantas vezes em nossa vida nos fingimos de cegos para não assumirmos um compromisso? Se eu vejo as injustiças… se eu vejo o sofrimento de meu irmão… se eu vejo as lágrimas de alguém que chora… e não faço nada, portanto, eu sou um cego existencial, alguém que escolheu enxergar somente o próprio umbigo. O cego existencial é um expert em “enxergar os outros com a mais pura e venenosa inveja “.

É preciso educar o olhar. O primeiro passo para a cura de nossa cegueira é escutar a voz do Senhor, pois se nos falta a visão, exercitemos a audição. É preciso humildade e confiança: Senhor, tende piedade de mim… Senhor tende piedade de mim. É preciso reconhecer nossas cegueiras, nossas trevas, nossos olhares invejosos e maldosos, nossos narcisismos, nossos pecados… Senhor, tende piedade de mim.

Hoje a Igreja nos diz: “Confiança, levante-se. Jesus te chama”. Isso é impressionante, pois o sujeito de nossa leitura orante não é a nossa cegueira, mas a misericórdia de Deus em seu Filho, Jesus Cristo.

Maravilhemo-nos diante da ação do Espírito Santo. Ele nos faz tomar consciência que o Amor de Deus é maior que a nossa cegueira.

Como Bartimeu, nós somos convidados a deixar o manto – que durante o dia recolhe as esmolas e à noite protege do frio – e assim, se lançar no Coração da Divina Providência. O Cristo nos cura e por isso, não precisamos mais mendigar afetos, afeições, atenções, amor etc… em Deus nós temos tudo em abundância. O amor não se mendiga… ele se doa na gratuidade.

Para que a cura de nossa cegueira produza efeitos e assim nos faça filhos da Luz, é preciso seguir a Cristo no Caminho da construção do Reino. O missionário nada mais é que alguém que foi curado de sua cegueira. Assim como escutamos do Profeta Jeremias e da Carta aos Hebreus, o missionário se torna aquele que recolher as lágrimas e as súplicas do povo sacerdotal e oferece em oblação, transformando toda tristeza em alegria.

O relato a seguir nos ajuda a compreender bem o evangelho de hoje: uma criança de 8 anos foi vítima de traficantes de órgãos. Dias depois de seu desaparecimento ela é reencontrada com vida. No encontro emocionado com o seu pai a criança lhe diz:

– Papai, porque eu não vejo mais o senhor.

O pai chorando, pois os traficantes “roubaram” as córneas de seu filho, lhe diz:

– Não tenhas medo meu filho, eu vou te ensinar a enxergar com os olhos do coração.

Este relato expressa bem o ditado popular que diz “o coração vê mais longe que os olhos”

por pe. Éder Carvalho Assunção Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África padre.eder@hotmail.com

Leitura Orante: Mc10,46-52 / Jr31,7-9 / Sl125 / Hb5,1-6

 

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