28 de Junho de 2015

“Guardar o tesouro da fé na consciência que somos vasos de argila”

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Deus que transforma pessoas simples em “extraordinariamente simples”

Pedro e Paulo são ícones da escolha gratuita de Deus. Suas vidas revelam, antes de tudo, a amabilidade presente no coração de Deus que transforma pessoas simples em “extraordinariamente simples” e violentas em anjos da paz. Da simplicidade rude de Pedro e da sede de violência de Paulo o Senhor tirou aquilo de mais doce que há no coração humano: a capacidade de se renovar no amor.

Pedro e Paulo foram “encontrados” por Deus, não tiveram “iniciativas” mais se lançaram “nas respostas”. Assim Deus os encontrou e continua a nos encontrar e anseia por nossa resposta. Em Pedro encontramos a presidência da caridade como serviço, em Paulo encontramos a audácia missionária como partilha da graça. Em ambos a universalidade da Igreja que é serva na construção do Reino.

Pedro e Paulo são também imagem da Igreja perseguida , martirizada, que reza continuamente e que confia em seu Anjo da Libertação.

Oxalá…

Oxalá se um dia deixássemos a perseguição fundamentalista e sem coração que não expressa nem a caridade de Pedro nem a missionariedade de Paulo.

Oxalá se um dia abandonássemos a “caça as bruxas” e combatêssemos o bom combate na corrida da superação da miséria e guardássemos a fé como tesouro a partilhar e não como capital a excluir.

Oxalá se conhecêssemos a Jesus de Nazaré, principalmente na sua capacidade de tocar sem discriminar, em sua capacidade de amar sem questionar, em sua capacidade de abraçar sem amedrontar… e assim utilizássemos o “poder da chaves” para abrir e não para fechar deixando de fora àqueles de tem sede de Deus mais são expulsos por causa dos “apóstolos” que esbanjam doutrina e apologia, porém são limitados no exercício da caridade.

Oxalá tivéssemos Francisco – bispo de Roma – em nossas comunidades eclesiais de base, em nossas comunidades paroquiais, em nossas comunidades diocesanas… utilizando assim o “poder das chaves” para abrir a Igreja aos pobres com os seus crucificados.

Oxalá que os “apóstolos”; que utilizam o “poder das chaves” para fechar a Igreja e transformá-la assim numa “sociedade perfeita” tão fria, tão fria que nem o aquecimento global consegue derreter; se abram a experiência de tocarem e serem tocados… e não se escandalizem, mas tenham misericórdia que todos aqueles que continuam crucificados.

Oxalá que os “cristãos” deixem de lado o “terrorismo psicológico”; tão maléfico como o terrorismo de fato que explode e mata de uma só vez; o primeiro mata aos poucos no processo de “exclusão da mesa” que o Senhor com sua Páscoa preparou para todos.

Oxalá que os cristãos tomem consciência que a Moral não transforma ninguém, e sim, a experiência de amar e ser amado… de se ser encontrado pelo Cristo… e assim… após, a Moral se torna um caminho pedagógico natural.

Oxalá que os escândalos sexuais e econômicos ocorridos nas instâncias de poder da Igreja nos ajudem a tomar consciência que somos simples pecadores e que não podemos agir como se estivéssemos acima da verdade.

Oxalá que a perca de credibilidade e do poder moral nos faça reencontrar nossa vocação de “guardar o tesouro da fé na consciência que somos vasos de argila”.

Por Pe. Éder Carvalho Assunção Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África – padre.eder@hotmail.com 

Leitura Orante da Liturgia da Palavra – Solenidade de São Pedro e São Paulo

At12,1-12 / Sl33 / 2Tm4,6-8.17-18 / Mt16,13-19

 

 

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