29 de Abril de 2020

Celebração em memória de Irmã Cleusa em tempos de pandemia

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A Prelazia de Lábrea celebrou em meio à quarentena o 35º ano do martírio da Serva de Deus, Irmã Cleusa!
Irmã Cleusa Carolina Rody Coelho, nasceu em Cachoeiro de Itapemerim – Espírito Santo (Brasil) no dia 12 de novembro de 1933. Fez seus votos de Vida Religiosa na Congregação das Irmãs Agostinianas Recoletas no dia 03 de outubro de 1953 e foi assassinada brutalmente no dia 28 de abril de 1985, no rio Paciá, Lábrea – Amazonas, em defesa da Paz e dos direitos dos povos indígenas. Fora aclamada como “Mártir da Causa Indígena” na primeira Romaria dos Mártires da Caminhada na Prelazia de São Félix do Araguaia, no Estado do Mato Grosso em 1986. E seu processo de Canonização foi aberto no dia 26 de junho de 1991 em Vitória – Espírito Santo, pelo qual a Igreja lhe concede o título de Serva de Deus.

A Igreja através da devoção popular mantém viva sua memória, e ao longo dos anos a celebração do seu martírio vêm se fortalecendo em toda a Prelazia que celebra com fé, simplicidade e criatividade as muitas manifestações e expressões religiosas em sua homenagem.


Fruto do seu legado e como forma de gratidão e admiração pelo que ela representa na vida do povo labrense hoje temos em sua homenagem: nome de rua, escolas, biblioteca, fanfarra, abrigo, centro de convivência, obra social, comunidade indígena, além dela inspirar poetas e compositores locais na produção de poesias e canções.
Em Lábrea todos os meses no dia 28 celebra-se a Missa Amazônica em sua memória na Igreja Nossa Senhora de Fátima na qual se encontra o seu túmulo. É uma celebração dinâmica e animada com cantos em estilo amazônico que sempre termina com uma confraternização e partilha deliciosa de frutos da terra.


Diante da devoção popular na intercessão de Irmã Cleusa, desde fevereiro de 2019 passou-se a celebrar um Tríduo de Oração pela Saúde nos dias que antecedem a Missa Amazônica. O Tríduo é dinamizado por um grupo de leigos e leigas que vêm das comunidades da cidade e trazem suas intenções de saúde para seus enfermos e sempre conta com a presença e apoio das Missionárias Agostinianas Recoletas.


Atualmente a maior expressão religiosa em sua homenagem é o Tríduo de Oração em preparação à celebração de sua memória no mês de abril, que acontece em todas as comunidades da Paróquia de Lábrea e culmina com a tradicional Caminhada de Oração com grande participação popular saindo da Catedral Nossa Senhora de Nazaré rumo à Igreja Nossa Senhora de Fátima onde celebra-se a Eucaristia.


Este ano de 2020 a celebração seria um tanto especial e significativa devido os 35 anos, mas diante das circunstâncias causadas pela pandemia foi necessário adaptar-se às condições e meios possíveis para se celebrar, pois o testemunho de entrega e doação de Irmã Cleusa neste momento em que a humanidade é duramente provada pela pandemia do coronavírus nos ajuda a manter viva nossa fé e nossa esperança em Cristo Ressuscitado, sobretudo neste tempo Pascal.


Diante do chamado da Igreja do Brasil para cuidarmos da vida que clama por sobrevivência mediante as indiferenças que geram ameaças à vida como dom de Deus a ser cuidado e compromisso a ser assumido, o testemunho de Irmã Cleusa é expressão do cuidado com a vida e com seu bem-estar em todos os aspectos, pois não foi por acaso que ela viveu e morreu defendendo a vida. Assim, na programação especial deste ano realizou-se na Catedral de Lábrea o Tríduo da Saúde suplicando a intercessão da Serva de Deus, Irmã Cleusa pelas muitas intenções que foram chegando a cada dia somando-se às intenções da cura de todos os infectados pelo coronavírus e pelo fim da pandemia.


Celebrou-se ainda nas Missas presidida e concelebradas pelos sacerdotes, diáconos e pelo bispo Dom Santiago em companhias das Missionárias Agostinanas o tríduo de preparação com tema específico para cada dia sobre o sim, as virtudes e o martírio de Irmã Cleusa, que em sua mensagem faz ecoar o desejo de Deus inspirado em seu coração: “Comprometer-se com o índio, o mais pobre, desprezado e explorado, é assumir firme a sua caminhada… Vale arriscar-se!” (Ir. Cleusa).


Dia 28 de abril, dia em que se celebra o martírio não foi possível realizar a Caminhada de Oração como de costume, mas como em toda programação, foi possível celebrar solenemente e em comunhão espiritual através das ondas do Rádio a memória de Irmã Cleusa chegando assim em cada lar da nossa cidade; bem como nos ramais da BR 230; às comunidades ribeirinhas das curvas do Purus e às comunidades indígenas mais próximas de Lábrea. Foi circunstancial, mas talvez nunca se atingiu tantas famílias e comunidades que puderam revigorar sua fé e ter o privilégio de vivenciar as celebrações das bodas de 35 anos do Martírio de Irmã Cleusa.

 

TEXTO: Marcelo Viana

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