02 de Agosto de 2015

A paixão torna o essencial descartável enquanto o Amor renova o essencial e o plenifica na alegria.

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A vida comporta em sua dinâmica inúmeros anseios e desejos que podem integrar e humanizar, porém quando mal canalizados podem ser tornar devastadores.

Na primeira leitura de hoje (cf. Ex16,2-4.12-15) encontramos o ser humano na sua “experiência degradante”: sentir saudade da escravidão. Reclamação, murmúrio e nostalgia fantasiosa fazem parte da vida daqueles que são incapazes de enfrentar os desafios do presente, justificando-se em memórias ilusórias do passado.

No itinerário espiritual as tentações surgem como uma “saudade do pecado”, ou seja, aqueles que se encontram em “estado de graça” podem deprimir-se em nostálgicos pensamentos do pecado vivenciado, que embora perdoado deixa as suas consequências efetivas e afetivas.

Sendo assim, surge a consciência que o “estado de graça” é fruto da bondade de Deus e não do mérito humano, como nos diz o salmista “é o Senhor que nos alimenta e conduz” (Cf.Sl 77).

Verifica-se, portanto, a necessidade de “despojar-se do homem velho” (cf. Ef.4,17.20-24) para assim vencer as paixões ilusórias e se lançar em uma vida plena no Espírito.

A busca de Deus na certeza que é Ele que nos busca é fundamental para humanizar os sentimentos de Cristo em nós. A espiritualidade agostiniana nos ajuda na consciência que somente o Coração de Deus pode comportar as inquietudes de um coração que ama. A paixão torna o essencial descartável enquanto o Amor renova o essencial e o plenifica na alegria.

No Evangelho (cf.Jo6,24-35) “contemplamo-nos” em meio a multidão que busca. Muitos buscam com interesses secundários enquanto alguns poucos o buscam na gratuidade. Quem se contenta com Maná que foi enviado por causa da murmuração e da paixão de um povo de cabeça dura, está distante da experiência de Deus.

Em Cristo, o Pão da Vida, somos saciados. Não temos mais fome. Não temos mais sede. Ou seja, o Amor nos sacia e nos renova a cada dia. Que bom seria se encontrássemos Nele nossa fonte permanente. Não precisamos mendigar a paixão do tempo da escravidão e do pecado. Agora, em Cristo, temos a fartura que nos sacia.

Por pe. Éder Carvalho Assunção – Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

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