22 de Outubro de 2016

A missão nos transforma em “coração que escuta” e em “voz que silencia”

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Talentos, criatividade e sabedoria a serviço da Missão.

O papa Francisco escolheu como tema para a Jornada Mundial Missionária deste ano: Igreja Missionária, testemunha de Misericórdia. Como sempre, ele nos convida “à sair” numa encantadora aventura rumo ao coração do outro, sendo-lhe uma presença compassiva que atualiza a Misericórdia que brota do Coração de Jesus.

O Vaticano II nos relembra a graça missionária dispensada a cada pessoa batizada, esta mergulhada na vida Trinitária dispensa todos os seus talentos na dinâmica da Missão. O Espírito Santo, protagonista da Missão, concede uma criatividade sem igual a todos aqueles que se deixam inspirar pela graça batismal. Ao sair, aquele que ama se torna fecundo em ternura e justiça fraternal, a sabedoria acompanha seus passos e engendra a compaixão.

Escutar a súplica, acolher o desabafo das mágoas.

Na alegria da missão a acolhida se torna uma marca pessoal, mais que desbravar fronteiras, a missão nos transforma em “coração que escuta” e em “voz que silencia”. Anunciar a Boa Nova se torna um doce imperativo que não é fruto de uma filosofia ou doutrina, mas de um encontro, de uma memória afetiva, de uma experiência de amar e ser amado. Neste sentido, aquele que anuncia traz em si um “encontro”, aquele mesmo encontro que revolucionou a sua vida.

Quando o missionário toca o solo sagrado da vida do outro, ele necessita de um “coração que escuta” para acolher as mágoas desabafadas, os espíritos atribulados, os passos cansados. Assim, a missão se renova criando espaços de escuta e de cura interior, que trazem consegue o Kerigma, o primeiro amor em Jesus de Nazaré.

Combati o bom combate

Infelizmente o missionário é tentado a abandonar o caminho, e por isso, a missão se torna um combate espiritual, onde preguiçosos e covardes tombam em seguida. Para completar a corrida é preciso confiar e saber que sem o protagonista da Missão, o Espírito Santo, é impossível guardar a fé. Sendo assim, a vida espiritual do missionário deve ser zelada, cultivada. Graças a Deus temos em Teresinha este exemplo. Diariamente “somos libertados da boca do leão” pelas orações de todos aqueles que fazem de suas súplicas e sofrimentos sua maneira de “ir pelo mundo inteiro para pregar o evangelho”. Deus seja louvado por cada Ave-Maria rezada com afeto por uma senhora idosa no silêncio de sua capela interior.

Tende piedade de mim, sou pecador

O missionário deve ter cuidado com o farisaísmo e o “marketing pessoal” que transforma discípulos em estrelas e fiéis em fãs. O Reino deve ser anunciado, todos os povos tem o direito de conhecer o Evangelho. Na missão corremos o risco do carreirismo, do ativismo etc. O missionário é uma pessoa humana, pecadora e limitada, que deve confiar-se todos os dias à Misericórdia de Deus e assim deve rezar:

Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador. Ensina-se a ser esta “voz que silencia”, para que outro encontre em mim a consolação que vem de Ti e assim, enternurado que ele se torne um coração curado, testemunha da misericórdia.

Por pe. Éder Carvalho Assunção Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

 

Uma leitura orante

1ª Leitura – Eclo 35,15b-17.20-22a (gr. 12-14.16-18)

Salmo – Sl 33,2-3.17-18.19.23 (R.7a.23a)

2ª Leitura – 2Tm 4,6-8.16-18

Evangelho – Lc 18,9-14

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