Leitura Orante – 5⁰ Domingo Comum

O tema do sofrimento perpassa a liturgia da Palavra deste domingo, sobretudo por se tratar de um sofrimento fecundo, capaz de gerar maturidade, diferente daquele que gera masoquismo e vitimismo, tão em voga nas crises do cristianismo atual.

Nas primeiras vésperas, depois de ensinar, sofredores físicos e psíquicos são trazidos a Jesus, ele como sempre, cheio de compaixão, toca, cura e liberta a todos.

Estamos no contexto da Pregação do Reino, onde Jesus, depois de silenciar, retirar-se e rezar diz que a pregação é sua meta, foi para isso que veio. Paulo nos diz que “ai de mim se não pregar o Evangelho”, num tom que podemos traduzir: Como ser feliz sem anunciar o Evangelho, sem responder a vocação que Deus faz?

Esta maturidade e consciência vocacional surgem em contextos de muitos sofrimentos, tanto Jesus vai sentir isso na pele como seu discípulos.

Jó apresenta a visão da penúria humana no Antigo Testamento. Diante das desgraças que o afligem: perca da riqueza, dos filhos, do rebanho, incompreensão da mulher, abandono da própria casa por causa de uma doença terrível na pele e “destetado”. Tudo o que ele perdeu era sinal da benção, na concepção da época, e se estava sofrendo, foi por causa do seu pecado.

Aí vem a crise e os questionamentos fortes, até o momento em que ele supera a mentalidade da época e se abre à confiança, sentido e permanecendo em Deus mesmo no mais profundo sofrimento.

Não é por acaso que muitos charlatães hoje, disfarçados de religiosos pregam a teologia da prosperidade, onde Deus retribuiu o sacrifício, sobretudo o dízimo que enriquece uma cambada de lobos em pele de cordeiro. Como abutres se aproveitam do sofrimento humano e da fraqueza catequética e espiritual de suas vítimas.

Será que eu não penso da mesma maneira? Vou a Jesus pela cura ou pelo “disk problema”? Vou até ele porque amo ou vou entregar uma “propina de novena” para ser atendido em minhas necessidades temporais?

“Cruz credo”! Nunca pensei em ver um “cristianismo” não apenas distante de Cristo, mas pior, nocivo pra sociedade. Nesta pandemia, onde sabemos que Deus cura os corações e cuida da ferida, como diz o salmo 146, através da ciência que é dom do alto, encontramos os mercenários disfarçados de missionários dizendo que a fé é quem cura e a vacina é coisa da besta fera que veio marcar os seus. Muitos indígenas e ribeirinhos se negam a se vacinar por causa disso.

A sogra de Pedro foi curada da febre e se colocou a serviço. Oxalá um dia, os que “se dizem cristãos” se levantassem em serviço à humanidade, oferecendo fé em vez de magia, confiança em vez de adoração do dinheiro, união em vez de separação.
O sofrimento levou Paulo, que tinha um temperamento forte, a mudar de vida e buscar com todas as suas forças o anuncio do Evangelho que comporta consigo a promoção da pessoa humana.

Uma leitura orante da Liturgia da Palavra do 5º Domingo do Tempo Comum
Por Pe. Éder Carvalho Assunção [email protected]
Missão Cuxiuara
Jó 7,1-4.6-7 / Salmo 146 / 1Cor9,16-19.22-23 / Mc1,29-39

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