este retiro nos Santos Ombros não serviu apenas para massagear meu coração ferido

Um dia pensei ser feliz, imaginando-me entre as noventa e nove, perdi o senso, inchado de mim mesmo no redil da hipocrisia, na oração de obrigação, no seguimento de faixada. Até que caído ao longe, ferido e sem jeito fiz a mais bela experiência mística da minha vida: ser carregado nos ombros do Bom Pastor. No caminho lavei este mesmos ombros com lágrimas de penitência e de alegria. Pude também encostar meus ouvidos nas costas daquele que me carregava com compaixão, senti o seu pulmão, seu coração. Tudo isso se tornou canção, e a vergonha do pecado que trazia em mim se envergonhou, não pode mais dançar diante do tom da compaixão. Na posição em que estava, não via sua face, mas sentia seu sorriso e sua alegria em carregar… “pensava eu” uma ovelha perdida, “pensava ele” um filho muito amado. Ah! Quanto tempo perdido no grupo das noventa e nova, numa falsa sensação de santidade que beirava a idolatria, quanto tempo perdido me portando como ovelha branca, saldável e obediente. Agora sei que não existe lugar melhor no mundo.

Portanto, este retiro nos Santos Ombros não serviu apenas para massagear meu coração ferido, antes de tudo, ele me inquietou e me chamou a conversão. Passos foram dados: vela acesa, casa arrumada, busca com carinho. Daqui em diante a fase do “Pai: dai-me a herança” e do “retorno interesseiro à casa paterna” não tem mais lugar, nem os “ciúmes histéricos”, resta somente a contemplação do abraço misericordioso, agora sim, vejo a face, sinto o afago e aprendi a lição.

Nestes dias dos “Santos Ombros” e do “Santo Abraço” redescubro a imagem de Deus, que além de acolher os corações arrependidos corre atrás dos corações arredios. A imagem do deus raivoso que pensa mesmo em destruir seu povo é transformada em Misericórdia. Um Deus com coração de mãe que sente ao longe um coração arteiro e arrependido, que transforma a punição em zelo e educa na mansidão.

Por pe. Éder Carvalho Assunção Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

 

Leitura Orante

 

 

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