Celebração do 31º Aniversário do Martírio de Irmã Cleusa

A Paróquia Nossa Senhora de Nazaré em Lábrea celebrou no último dia 28 de abril a memória do martírio de Irmã Cleusa, mártir da causa indígena nessa Prelazia em sintonia com todas as Missionárias Agostinianas Recoletas e as paróquias que manifestam seu carinho e gratidão pelo seu sangue derramado em favor da justiça e da paz.

Nossas comunidades são motivadas a recordar a doação de sua vida bem como suas virtudes que se apresentam para nós como virtudes de santidade, embora ela ainda não tenha sido reconhecida como santa pela Igreja. O fato é que seu martírio celebrado entre nós é expressão de uma Igreja viva que celebra a memória daquela que foi destemida e corajosa em favor dos prediletos do Pai.

Na Escola Santa Rita onde ela exerceu a sua primeira missão religiosa em Lábrea como educadora, diretora e catequista foi realizado um tríduo de oração do dia 25 à 27 em sua memória envolvendo alunos, professores e funcionários em todos os turnos. Foram momentos fortes de meditação sobre sua vida, vocação e missão que lhe trouxe consequentemente o martírio.

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Na quinta feira (28) como de costume a 31ª caminhada de oração em sua homenagem iniciou na Catedral com o momento de acolhida seguindo logo após rumo a Igreja Nossa Senhora de Fátima aonde se encontra sepultado os seus restos mortais para celebrarmos a Eucaristia. Este ano por motivo do Jubileu da Misericórdia e a partir da apelo do Papa Francisco para que sejamos uma igreja autenticamente misericordiosa e creditada em sua mensagem meditou-se durante a caminhada o tema: “Irmã Cleusa, misericordiosa como o Pai”, texto da autoria de Marcelo Viana.

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 “Irmã Cleusa, misericordiosa como o Pai”

Queridos irmãos e irmãs, neste Ano Santo da Misericórdia a Igreja tem nos convidado a nos abrirmos, nos aproximarmos e nos encontrarmos com a misericórdia de Deus que sempre nos acolhe de braços abertos. Somos convidados a darmos testemunho de misericórdia para que possamos manifestar o rosto misericordioso do Pai como fez a Serva de Deus Irmã Cleusa.

Neste tempo que se chama hoje marcado pela falta de solidariedade, justiça e paz, tempo em que o amor se esfriou nos corações e a prática dos valores evangélicos tornou-se escasso, queremos refletir sobre o testemunho de Irmã Cleusa, ela que soube ser misericordiosa como o Pai afim de que seu exemplo nos fale ao coração e acrescente a nossa fé.

Chamada por Deus para a Vida Religiosa Consagrada como Missionária Agostiniana Recoleta, desde a sua juventude Cleusa já exalava o doce perfume que agradava ao Pai. Jovem simples dada ao serviço e obediência, destacava-se por sua serenidade no respeito às pessoas, na ajuda aos pais, no cuidado com os irmãos, na aplicação nos estudos e por sua modéstia e piedade entre outras virtudes.

O Papa Francisco nos fala na Bula de proclamação do Jubileu da Misericórdia que “a primeira verdade da igreja é o amor de Cristo. E deste amor que vai até o perdão e o dom de si mesmo a Igreja faz-se serva e mediadora junto dos homens. Por isso, onde a Igreja estiver presente, aí deve ser evidente a misericórdia do Pai” (n. 12). A vida e missão de Irmã Cleusa é manifestação desse amor onde tantos irmãos nossos puderam encontrar um oásis de misericórdia. Sua essência torna evidente o sinal do amor de Cristo uma vez que sua entrega é expressão máxima do amor.

Considerando as inúmeras situações de precariedade e sofrimento presentes no mundo atual, a Igreja hoje nos anima a “redescobrirmos as obras de misericórdia anunciadas por Jesus Cristo onde os pobres são os privilegiados da misericórdia Divina” (n. 15). Irmã Cleusa, mulher destemida e despojada de si mesmo, se doou aos prediletos de Deus assumindo suas lutas e se comprometendo com suas causas indo ao encontro de todos sem excluir ninguém. Ela foi pobre com os pobres na sua simplicidade de vida, pois não guardava nada para si e partilhava de sua pobreza com os necessitados.

Na prática da caridade ela foi incansável e tamanha era sua solidariedade sendo que compreendia que “Cristo é o ofendido, o marginalizado, perseguido na pessoa do menor”: levava conforto aos enfermos nos hospitais e em suas casas; prestava auxílio aos doentes estrangeiros e lhes fazia companhia; dava de comer aos famintos; acolhia os menores abandonados; visitava os presos e menores infratores; partilhava suas roupas; orientava os ignorantes; aconselhava os errantes; abraçava os excluídos e semeava a paz.

Seu zelo pastoral e piedade admirável nos recordam as palavras do apóstolo que diz: “Quem pratica a misericórdia, faça-o com alegria” (Rm12.8) e Cleusa amou na liberdade de ser doação. Ela que sempre tinha um sorriso e uma palavra de confiança em Deus contemplava o mundo com olhar de esperança, justiça e paz e ainda nos convida a construir fraternidade tendo como base a justiça para uma convivência humana harmônica e feliz.

Neste Ano da Misericórdia o Papa nos convida a “abrirmos os nossos olhos para vermos as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e sentimo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda” (n.15). Cleusa se compadeceu dos hansenianos excluídos muitas vezes por sua própria família e ia ao seu encontro com frequência para tratar de suas feridas, levar uma palavra amiga e um conforto espiritual mesmo diante do preconceito e desprezo das pessoas.

Cleusa testemunhou que a Igreja de Jesus Cristo deve anunciar com a própria vida um Deus comprometido com a causa do seu povo, que dele se compadece e o resgata das mãos dos opressores e malvados. O evangelista nos fala que “Jesus sentiu profunda compaixão da multidão que o seguia cansada e abatida” (Mt 9,36). Foi compadecendo-se da situação de abandono e injustiça em que se encontravam os povos indígenas que ela ofereceu-se para participar da Pastoral Indigenista, uma das causas mais nobres e urgentes da Pastoral da Região Amazônica.

Foi por essa nobre causa que Irmã Cleusa se empenhou fiel no compromisso com o índio, o mais pobre, desprezado e explorado, assumindo firme a sua caminhada, pela qual valeu arriscar-se. Por essa causa àquela que sempre tinha um sorriso e uma palavra de confiança em Deus de que a missão de Lábrea daria certo, selou sua missão com a maior expressão de sua fé doando sua própria vida por amor aos índios, por amor aos irmãos. Não temos dúvida de que ao acolhê-la na eternidade o Senhor lhe falou: “Vinde bendita de meu Pai, receba como herança o Reino que meu Pai lhe preparou desde sempre” (Mt 25,34).

O Papa Francisco nos fala que “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai […] e nossa fé encontra seu sentido nesta verdade” (n. 1), por isso “precisamos sempre contemplar o mistério da misericórdia, que é fonte de alegria, serenidade e paz. É a condição da nossa salvação” (n. 2). Confiemo-nos a proteção da Mãe da Misericórdia para que a doçura do seu olhar nos acompanhe […], e que nossa oração estenda-se também a tantos Santos e Beatos, – bem como à Serva de Deus Irmã Cleusa – que fizeram da misericórdia a sua missão vital (n. 24).

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A Santa Missa foi presidida por Dom Jesus Moraza e foi concelebrada por Frei José Garcia, Padre Henrique Giera e o diácono Frei Geraldo Inácio. Após a comunhão as crianças da Infância e Adolescência Missionária fizeram uma homenagem a Irmã Cleusa e em seguida Dom Jesus convidou a Irmã Marlene Valani, provincial das Missionárias Agostinanas Recoletas para dirigir uma mensagem em nome da Congregação a todas os presentes.

Ao término da celebração foi distribuído sopa a todos que quisessem se confraternizar.

Deus é “paciente e misericordioso”, “é ele quem perdoa as tuas culpas e cura todas as tuas enfermidades. É ele quem resgata a tua vida do túmulo e te enche de graça e ternura” (Sl 103 [102],3-4) porque “Eterna é a sua misericórdia” (Sl 136)

TEXTO: Marcelo Viana – Coordenador do COMIPA – LÁBREA

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