Amor a Deus e amor ao próximo: inseparáveis ​​e complementares, são dois lados da mesma moeda

Após rezar o Angelus, Francisco recorda a beatificação de Madre Assunta Marchetti, que ocorreu neste sábado, 25, em São Paulo

Antes de rezar o Angelus com os fiéis e peregrinos presentes na Praça de São Pedro neste domingo, 26 de outubro, o Papa refletiu sobre o mandamento do amor. Eis o texto na íntegra:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje nos lembra que toda a lei de Deus se resume no amor a Deus e ao próximo. O evangelista Mateus diz que alguns dos fariseus se organizaram para testar Jesus (cf. 22,34-35). Um deles, um doutor da lei, fez a seguinte pergunta: “Mestre, na Lei, qual é o maior mandamento?” (V. 36). Jesus, citando o livro de Deuteronômio, respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma e com toda tua mente. Este é o grande e primeiro mandamento” (vv. 37-38). Ele poderia ter parado aqui. Mas, Jesus acrescenta algo que não havia sido solicitado pelos doutores da lei. Ele diz: “O segundo é semelhante: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (v 39). Também este segundo mandamento Jesus não inventa, mas extrai do livro de Levítico. Sua novidade consiste em unir esses dois mandamentos – amor a Deus e amor ao próximo – provando que eles são inseparáveis ​​e complementares, são dois lados da mesma moeda. Você não pode amar a Deus sem amar o próximo e não pode amar o próximo sem amar a Deus. O Papa Bento XVI deixou-nos um bom comentário sobre o assunto em sua primeira encíclica Deus Caritas Est (N. 16-18).

O sinal visível com o qual o cristão testemunha ao mundo e aos outros, à sua família o amor de Deus é o amor pelos irmãos. O mandamento do amor a Deus e ao próximo é o primeiro não porque está no topo da lista dos mandamentos. Jesus não o coloca no alto, mas no centro, porque é o coração de onde tudo deve partir e para onde tudo deve retornar e ser referência.

No Antigo Testamento a exigência de ser santo, à imagem de Deus que é santo, incluía o dever de cuidar dos mais fracos ​​como o estrangeiro, o órfão, a viúva (cf. Ex 22,20-26). Jesus cumpre a lei da aliança, Ele une em si mesmo, na sua carne, a divindade e a humanidade, em um único mistério de amor.

Agora, à luz da palavra de Jesus, o amor é a medida da fé, e a fé é a alma do amor. Não podemos separar a vida religiosa, a vida de piedade do serviço aos irmãos, aos irmãos que encontramos concretamente. Não podemos dividir oração, e encontro com Deus nos sacramentos, do ouvir o outro, do estar próximo de sua vida, especialmente de suas feridas. Lembre-se: o amor é a medida da fé. Quanto você ama? E cada um responda. Como está a sua fé? Minha fé é como eu amo. E a fé é a alma do amor.

No meio da floresta densa de regras e regulamentos – os legalismos de ontem e de hoje – Jesus permite que se veja duas faces: a face do Pai e do irmão. Não nos entrega duas fórmulas ou dois preceitos: não são preceitos e fórmulas; nos dá duas faces, na verdade, um rosto só, o de Deus que se reflete em muitas faces, porque no rosto de cada irmão, especialmente o menor, mais frágil, indefeso e necessitado, está presente a própria imagem de Deus. E devemos nos perguntar, quando encontrarmos um destes irmãos, se somos capazes de reconhecer nele o rosto de Deus: somos capazes disto?

Desta forma, Jesus oferece a cada homem o critério fundamental no qual devemos apoiar a própria vida. Mas acima de tudo, Ele nos deu o Espírito Santo, que nos capacita a amar a Deus e ao próximo como Ele, com o coração livre e generoso. Por intercessão de Maria, nossa Mãe, nos abramos para receber este dom do amor, para caminhar sempre nesta lei de duas faces, que são uma só: a lei do amor.

Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs,

Ontem, em São Paulo, Brasil, foi proclamada Beata Madre Assunta Marchetti, nascida na Itália, co-fundadora das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo – Scalabrini. Ela era uma freira exemplar no serviço aos órfãos dos imigrantes italianos; ela via Jesus presente nos pobres, órfãos, nos doentes, nos migrantes. Agradecemos ao Senhor por essa mulher, um modelo de espírito missionário incansável e dedicação corajosa no serviço da caridade. Este é um apelo e, sobretudo, uma confirmação do que dissemos antes, no que diz respeito a buscar a face de Deus na irmã e no irmão necessitado.

Saúdo com afeto todos os peregrinos da Itália e de vários países, começando pelos devotos de Nossa Senhora do Mar, de Bova Marina. Acolho com alegria os fiéis de Lugana em Sirmione, Usini, Portobuffolè, Arteselle, Latina e Guidonia; bem como aqueles de Lausanne (Suíça), e Marselha (França). Dirijo um pensamento especial para a comunidade peruana em Roma, aqui presente com a imagem sagrada – Eu vejo – do Senhor dos Milagres.

Saúdo também os peregrinos de Schoenstatt: Eu vejo daqui o ícone da Mãe.

Agradeço a todos e saúdo com afeto.

Por favor, rezem por mim, não se esqueçam. Desejo a todos um bom domingo e um bom almoço. Adeus!

(26 de Outubro de 2014)

Fonte: Zenit.org

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