A esperança inquieta o coração, desperta a capacidade de sonhar, encoraja a caminhar.

A esperança inquieta o coração, desperta a capacidade de sonhar, encoraja a caminhar. Assim é a Pascoa de Jesus: transformação de vida e “embrasamento” de coração.

Vejamos Pedro na primeira leitura de hoje: corajoso e destemido. Quem agora o vê não imagina o “tamanho covarde” que ele encarnou durante a Paixão do Senhor.

Qual é o segredo que transforma covardes em corajosos?

A experiência da negação de Pedro traz consigo a “escuta amarga” do canto do galo. Esta o fez tomar consciência de sua limitação. As lágrimas que “tombaram” de seus olhos tiveram como pano de fundo o “Pedro: Tu me amas? Apascenta meu rebanho”!

Ah Pedro! Quem diria! O Senhor Ressuscitado veio ao teu encontro e mesmo diante das tuas infidelidades e negações, Ele soprou sobre ti o Espírito que Renova todas as coisas.

Sendo assim, o covarde da Paixão se torna agora o corajoso pregador da Ressurreição. O encontro pessoal com o Ressuscitado, experiência fundamental de todo aquele que acredita, transforma e qualifica a vida.

Quais são as nossas covardias?

Quais são as nossas infidelidades?

Até quando seremos prisioneiros do medo?

A Páscoa de Jesus, portanto, é uma celebração onde encontramos “alívio em nossas aflições”, onde professamos que o Cristo é nossa “tranquilidade-inquieta” e nossa “segurança nas inseguranças da vida”. Esta celebração é regada com o desejo de não mais pecar, na consciência da Redenção operada pelo Cristo e, como diz João na segunda leitura, no “guarda a Palavra”.

Tenho deixado a Palavra de Deus iluminar a minha vida?

Tenho vivido segundo a Boa Nova da Ressurreição ou insisto em recitar a “ladainha das desgraças passadas em minha vida”?

A Palavra de Deus, a oração, o clamor do pobre… tudo isso faz arder meu coração?

Oxalá pudéssemos nós “degustar” com serenidade a Liturgia da Palavra deste terceiro domingo da Páscoa. O Evangelho como sempre, nos convida a deixar o comodismo da liturgia vazia para assim, nos lançarmos na “experiência do Caminho”.

Lucas nos apresenta o Caminho de Emaús que nos revela a Eucaristia:

Acolhida do Mistério
Memória da Palavra
Fração do Pão
Envio Missionário.
É neste contexto que Ressuscitado mais uma vez deseja a “comunidade” a “paz inquieta”. É interessante como o Senhor vem ao encontro das dúvidas e preocupações dos discípulos. Hoje também, ele vem ao encontro das nossas.

Quais são as nossas dúvidas?

Quais são as nossas preocupações?

No evangelho de hoje Jesus apresenta suas mãos e seus pés , e pede para os discípulos tocarem seu corpo glorioso e também, inquieta com a pergunta sobre a alimentação.

Mãos e pés: as marcas da Paixão, da Cruz, permanecem no Corpo Glorioso de Jesus.

Quais são as marcas da Paixão que eu trago em meu corpo, em minha memória?

Um cristão que não tem marcas da Missão e da Paixão vive na mediocridade da religiosidade vazia que não convence e não alegra.

Tocar e alimentar: um dos grandes desafios para a vida missionária da Igreja, nesta celebração dos 50 anos da Ad Gentes, é motivar os batizados a “tocar o Senhor” e com Ele “sentar à mesa”.

Como eu toco o Senhor Ressuscitado… como eu “sento com ele à mesa”?

“Vós sereis testemunhas de tudo isso”

Leitura Orante:

At3,13-15.17-19 / Sl 4 / Jo2,1-5a / Lc 24,35-48

por pe. Éder Carvalho Assunção – Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

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