Construir “o novo céu e a nova terra”

A humanidade vive uma esquizofrenia espiritual que a leva a uma bipolaridade de comportamento que assusta e faz repensar. Cada pessoa humana tem sua responsabilidade neste drama, seja como protagonista, coadjuvante ou figurante. De atores à expectadores, como indivíduo ou como parte de uma sociedade, ninguém esta fora desta rede que estremece inclusive as estruturas do planeta.

Construir “o novo céu e a nova terra” se torna, portanto, um imperativo ético e moral neste tempo marcado pelo Chronos e pelo “bem estar de alguns”. Os tuaregues, na imensidão do Saara, nos ensinam que os ocidentais possuem “relógios” e eles (os tuaregues) possuem o tempo. Os povos indígenas vivenciam o “bem estar” que comporta a felicidade de todos, enquanto o capitalismo se contenta em construir o “bem estar” de alguns, subjugando milhares à miséria.

Neste contexto, Jesus de Nazaré nos ensina a contemplar o kairós (tempo de graça) neste ano jubilar onde todas as formas de opressão de opressão devem “ceder lugar” às obras de misericórdia.

Sendo assim, toda pessoa humana iluminada pela ação apostólica de Paulo e Barnabé se abre à gratuidade do serviço à humanidade. Fraternidade universal que se fundamenta no mandamento do amor, revelado hoje por Jesus na liturgia.

Impulsionados pela leitura orante da liturgia da palavra deste 5º Domingo da Páscoa, reflitamos sobre o “nosso lugar missionário” neste tempo:

  • Protagonista: sabemos que o Espírito é o protagonista da missão. É ele que conduz a ação missionária da humanidade que não se limita às esferas institucionais da Igreja. Cada batizado, em tese, deveria ser a atualização da presença de Cristo na força do Espírito. Aqui se entende o protagonismo como abertura ao Espírito, vida ofertada, testemunho contemplado.
  • Coadjuvante: aqui corre-se o risco de deixar sempre ao outro a missão da “entrega total”. Eu estou sempre lá, assumo tarefas, colaboro com alguma coisa, mas na hora da ousadia… nunca estou pronto, não tenho vocação, preciso de mais tempo, estou doente, preciso cuidar da minha família etc. Geralmente os “coadjuvantes” vivem a liturgia como espetáculo e a pastoral como terapia ocupacional.
  • Figurantes: enfim, encontramos o lugar mais tranquilo. Nas redes sociais minha apresentação vai de comediante à juiz. Tenho resposta pra tudo. Fico indignado e eufórico… porém, no drama da vida e do “mundo de verdade” me torno figurante em meio à massa, sem nome, sem identidade. Assim, vejo o mundo à partir da vida do outro, do meio de comunicação que mais acesso, dos líderes idolatrados etc. Enfim, sou uma figura sem graça e às vezes, sem alma.

O novo céu e a nova terra precisam de homens e mulheres renovados na misericórdia e na compaixão do Cristo. Que este tempo pascal faça brotar em cada batizado a chama apagada. Que tenhamos a maturidade de abrir os olhos e contemplar uma humanidade sedenta de Deus, sedenta de ternura.

1ª Leitura – At 14,21b-27

Salmo – Sl 144,8-9.10-11.12-13ab (R.cf.1)

2ª Leitura – Ap 21,1-5a

Evangelho – Jo 13,31-33a.34-35

Por pe. Éder Carvalho Assunção Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África [email protected]

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