Ele nos concede a cura e transforma nossas cabeças duras em mentes brilhantes e nosso coração de pedra em sacrário de milagres.

“Basta-me a minha graça, pois é na fraqueza que a força se manifesta” 

Na liturgia da Palavra de hoje, sobretudo na carta paulina, encontramos uma visão do ser humano que é fundamental para mergulhar com confiança no Mistério de Deus. Vejamos a ousadia de Paulo ao reconhecer suas fraquezas e limitações. Digo ousadia porque nem sempre estamos preparados a revelar nossas fraquezas. Sempre nos apresentamos com os nossos dons e talentos, ou seja, passamos uma imagem “que tudo está muito bem”, mesmo quando tudo está mal. Corremos um sério risco de construirmos relacionamentos opacos, onde utilizamos muitas máscaras e nos esquecemos da transparência. O desejo “diabólico” de perfeição nos leva a comprimir nossas limitações e assim, um dia elas podem vir à tona com efeito devastador.

Nesta frustrante busca desenfreada pela perfeição podemos nos fechar em nosso pequeno mundo e assim, não experimentar a força de Deus que se manifesta em nossas fraquezas. Pois, mesmo profanados, seremos sempre pela misericórdia de Deus, espaços de Transfigurações.

Quais são as minhas fraquezas?

Por que tenho medo que elas sejam reveladas?

Eis porque eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições e nas angustias sofridas por amor a Cristo. Pois quando me sinto fraco é que sou forte.

A espiritualidade cristã nos ensina que Deus nos amou por primeiro, ou seja, ele não selecionou os bons e perfeitos, mas ele amou a todos de maneira gratuita. Uma pessoa pode passar uma vida fazendo o bem sobre a terra, porém, ela será lembrada pelos seu minutos de fraqueza. A lógica do ser humano confunde vingança com justiça enquanto Deus entende justiça como perdão. É por isso que o Bom Ladrão e todos os “malfeitores” encontram também um lugar reservado no Coração de Deus. Os perfeitos não suportam a conversão dos malfeitores! Os “santos de retiro de final de semana” não suportam a Misericórdia de Deus que salva aqueles que nunca colocaram o pé num templo religiosos!

Por que não suportamos a fraqueza do outro?

Será que julgamos no outro aquilo que mais nos incomoda em nós mesmos?

A estes filhos de cabeça dura e de coração de pedra…

E ali não pode fazer milagre algum…

Os milagres não acontecem em nosso meio porque desacreditamos naqueles que convivem conosco. Os milagres se dão nas pequenas coisas do dia a dia.

Como contemplo os milagres de Deus em minha casa, no meu trabalho, em minha escola, na sociedade, em minha comunidade de fé?

A incredulidade que tomou conta da família de Jesus e de seus vizinhos, infelizmente ainda é nossa realidade.

Quantos de nós não conseguimos contemplar a presença de Deus na vida daqueles que estão ao nosso redor?

Creio que seja necessário reconhecermos que temos muitas vezes uma cabeça dura e um coração de pedra, e assim, reconhecendo nossas fraquezas, Deus manifesta a sua força. Portanto, olhos fitos na mãos do Senhor. Deixemos de lado todo orgulho e toda nostalgia que nos paralisa no passado e apresentemos a Deus nossas feridas. O Espírito virá em nosso socorro como presença amorosa e terna. Ele nos concede a cura e transforma nossas cabeças duras em mentes brilhantes e nosso coração de pedra em sacrário de milagres.  

Leitura Orante: Ez2,2-5 / Sl122 / 2Cor12,7-10 / Mc6,1-6

por pe. Éder Carvalho Assunção Missionário da Prelazia de Lábrea no Corno da África  [email protected]

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